Por trás de cada fotografia, há sempre uma história. Neste caso, vale a pena contá-la. Há muito tempo que procurava encontrar um adulto da Saturnia pavonia. Sem sucesso.

Trata-se de uma borboleta. Belíssima. Noturna. Traças! – chamam-lhe alguns.

Pelo menos desde 1939, a espécie está dada para a região. Arala Pinto refere-a na sua obra relativa ao Pinhal. E se o autor não me enganou no que há Charaxes jasius diz respeito, também neste caso teria que confiar nas suas palavras. Efetivamente, em Abril passado, encontrámos algumas lagartas desta espécie. Faltava-me encontrar o adulto. Com uma série de sessões noturnas do grupo marcadas para março, ela não teria como escapar.

A história, no entanto, aconteceu de dia, e de forma bem diferente do previsto.

Numa curta caminhada, a meio da tarde, explorando a zona programada para a sessão dessa noite, ela passou por mim a alta velocidade. Confundiu-me. Uma Vanessa atalanta? Subitamente voltou para trás e passou novamente por mim. Que raio?!

De um momento para o outro, vejo-a a esvoaçar de forma caótica no meio de um arbusto. Uma Vanessa atalanta nunca faria uma coisa assim. E aquele corpo tão gordinho… Só pode ser uma noturna. Largo a máquina fotográfica (com menos cuidado do que deveria), e procuro a rede. Quando a consigo apanhar, sem grande dificuldade, já sabia que me tinha saído a sorte grande. Era uma Saturnia pavonia!

Mantenho-a na rede 5 minutos, depois 10, a ver se o bicho acalma. Nada. Sempre a esvoaçar como se tivesse algo urgente para fazer fora dali.

15 minutos. Desisto e, com esperança que ela volte logo à noite, liberto-a. Assim que se vê livre, voa energicamente para longe. 30 segundos depois está de volta. Em menos de nada, hei-la de volta ao arbusto. Terá mel?

Subitamente sossega. (Afinal não era preciso a rede?!) Aproximo-me devagar com esperança de tirar a fotografia que não consegui enquanto a tive nas mãos. Lá está ela, sossegada. Quando foco pela primeira vez, surpreendo-me: tinha a sensação que tinha visto um macho dentro da rede e esta é uma fêmea. Então percebo. O meu macho também lá está, por trás, já colado à fêmea. Afinal o arbusto sempre tinha mel.

Saturnia pavonia