A Prima Raquel

A Prima RaquelA minha intenção, quando peguei neste livro, foi variar um pouco, fugindo aos meus temas habituais. Nada de fantasia, ficção científica ou romance histórico. A Prima Raquel, publicada em 1951 é apresentada como uma clássica obra de mistério. Se lhe aliarmos o aspeto arcaico da minha edição dos Livros do Brasil (um arcaico de 1992!), temos os ingredientes necessários para introduzir alguma variedade nas minhas leituras.

Desde logo fui surpreendido com a escrita limpa e escorreita de Daphne du Maurier. A autora britânica, nascida em 1907, fez sucesso nos anos 30 do século XX com os seus romances, tendo com eles conquistado grande notoriedade (e fortuna).

A trama d’A Prima Raquel decorre na Inglaterra rural de meados do século XIX. Philip Ashley, o protagonista-narrador é um jovem de 24 anos, órfão, criado pelo seu primo Ambrose Ashley. Como proprietários de uma vasta propriedade agrícola, com inúmeros rendeiros, vivem de forma desafogada mas austera. Ambrose, cerca de vinte anos mais velho que Philip, é um solteirão determinado e os toques de conforto e feminilidade são considerados luxos supérfluos que não encontram lugar em sua casa.

Por motivos de saúde, porém, Ambrose é obrigado a passar os Invernos no Continente, longe do frio e humidade britânicos. É num desses períodos que, em Florença, conhece Raquel, uma parente afastada que enviuvou ainda nova. Nas cartas que vai enviando a Philip, é notória uma admiração crescente por Raquel. Inevitavelmente essa admiração termina em paixão e, logo de seguida, em casamento. No intuito de resolver alguns problemas burocráticos e financeiros de Raquel, Ambrose vai adiando o regresso a Inglaterra. Ao longo do tempo, porém, o teor das suas cartas vai-se alterando: Ambrose sente-se agora doente e perseguido.

Em Inglaterra, Philip acha cada vez mais difícil suportar a ausência do seu tutor. A inquietação que as sucessivas cartas lhe transmitem fazem-no, finalmente, viajar até Florença em busca de Ambrose. Uma vez aí, descobre uma mansão abandonada e recebe a notícia do falecimento do seu primo. Quanto à prima Raquel, encontra-se em parte incerta.

Philip não tem dúvidas da culpa de Raquel na morte de Ambrose e presta-se a jurar uma vingança contra a odiosa mulher. No testamento de Ambrose, porém, Philip é ainda o único herdeiro. Será que não houve tempo para o alterar? Ou Ambrose não confiava na esposa?

Algum tempo depois, já de volta à Cornualha, Philip recebe a notícia da chegada da prima Raquel à região. Tenciona entregar a Philip os bens pessoais de Ambrose. Uma excelente oportunidade para a confrontar!

A prima Raquel revela-se uma pessoa bem diferente do que Philip esperara. Uma criatura encantadora! O jovem dá por si a desejar que a visita da prima se prolongue indefinidamente. Com um peso na consciência por Ambrose ter deixado Raquel fora do testamento, Philip decide fazer o que lhe parece mais justo: passar toda a propriedade para o nome da viúva.

E é então que Philip cai de cama, também ele doente.

Será Raquel a responsável pela súbita doença de Philip e pela morte de Ambrose? Será a encantadora mulher capaz de tamanhas atrocidades?

A Prima Raquel tem uma adaptação cinematográfica de 1952, num filme realizado por Henry Koster.

Aqui fica o trailer.

Phengaris alcon. Alvão 2014.

Visitámos o Alvão pela primeira vez em agosto do ano passado. O objetivo era claro: fotografar a Phengaris alcon, uma borboleta que, no nosso país, tem apenas algumas pequenas populações dispersas pelo norte. Na altura, e apesar de as termos encontrado em abundância, a objetiva da minha máquina estava nas últimas e as fotos não saíram muito bem.

Este ano, de regresso de Montesinho, decidimos parar mais uma vez no Alvão. Embora em número inferior ao que encontrámos o ano passado em princípios de agosto, elas ainda voavam. Deu para lhes tirar o retrato e também aos seus ovos, colocados em Gentiana pneumonanthe, a sua planta hospedeira.