Embora por vezes seja apelidada de “a tarântula ibérica”, a Lycosa hispanica (Dufour, 1835) não é uma verdadeira tarântula. Na verdade, pertence a uma família diferente (Lycosidae ao invés de Theraphosidae) e a sua relação com os monstros que povoam alguns pesadelos é bastante remota.

As fêmeas desta espécie, porém, podem alcançar até 7 cm de envergadura. Tamanho suficiente para imporem algum respeito.

Não sendo uma espécie rara, os seus hábitos crepusculares e noturnos justificam os poucos avistamentos deste animal. A sua toca caraterística, cuja entrada é construída com restos de folhas secas, revela facilmente a presença deste aracnídeo. No Pinhal do Rei é fácil encontrá-las em locais áridos e soalheiros, nomeadamente em talhões não arborizados ou em aceiros amplos.

Embora desde há muito conheça as suas tocas, o animal tem-me vindo a escapar. Em anos anteriores, as minhas tentativas de a fazer sair, assustando-a com uma palhinha ou até com água, revelaram-se infrutíferas. Hoje encontrei mais algumas.

Toca de Lycosa hispanica

Toca de Lycosa hispanica

Enquanto admirava o trabalho deste animal, martirizando-me por mal o conhecer, ocorreu-me que o trabalho investido nesta construção revelava um zelo e aprumo bastante elevados. Alguém que se esforça desta forma para atingir a perfeição, nunca aceitaria um só galho fora do sítio. Hummm…

Vai daí, deixei cair uma caruma na abertura da toca.

A toca desarrumada

E depois esperei. Mas não foi uma longa espera. Dois ou três minutos depois, já a caruma mexia. E então…

Lycosa hispanica

Lycosa hispanica

Lycosa hispanica

Lycosa hispanica

Lycosa hispanica

Depois da casa arrumada, ao aperceber-se que estava a ser vigiada, logo retomou o seu esconderijo, mas ainda numa posição que lhe permitisse observar os meus movimentos…

Lycosa hispanica

Depois de mais alguns minutos a jogar às escondidas, em que ela subia quando eu me afastava e se recolhia quando eu me aproximava, optei por deixá-la em paz, dando-me por satisfeito com a sorte que tive.