Archive for Março, 2003

Cam

Pois é: grande alteração nesta página. Agora tenho uma webcam online (ver menu aqui ao lado esquerdo). Quando eu estiver online, com a câmara ligada, a imagem deverá ser actualizada de 5 em 5 minutos, mas possivelmente isso não irá acontecer muito frequentemente. Espero que isto não atraia uma carrada de voyeurs a este site. Atenção: não tenciono fazer nenhum strip, nem despir-me para deleite dos meus caros visitantes (a não ser que venha a sofrer uma temporária insanidade mental). O mais provável é encontrarem imagens minhas a coçar a barba, ou a tirar macacos do nariz. :-)

Blogs, blogs e mais blogs

Começo a ficar um pouco cansado de ler tantas questões sobre blogs. Enfim, apesar de tudo não posso evitar escrever algumas linhas sobre o assunto. :)
No Ponto Media discute-se qual terá sido o primeiro weblog em Portugal. Estaríamos entre os três primeiros, mas pessoalmente não vejo as coisas assim: antes dos 3 citados pelo António Granado já existiam outros… Logo acima fica a questão: o que é um weblog? Esta é uma boa questão, já pensei nela várias vezes, mas não encontro nenhuma resposta satisfatória…
Entretanto, o Pacheco Pereira, escreve no Público sobre as referências à guerra no meio blogger português. Interessante, até os políticos estão de olho em nós? :P
No Cafeína, o NiceGuyEddie ataca a definição de weblog e os diários dos adolescentes. Pessoalmente não vejo nada de mal neles, mas é um ponto de vista que respeito.
A discussão no Gildot, já a tinha citado antes.
E como esta coisa é extremamente contagiosa, qualquer blog que se preze, acaba por citar estas discussões e dar o seu palpite… O assunto não vai certamente ficar por aqui. Conforme os logs forem ganhando popularidade, irão aparecendo este tipo de questões. O típico espírito português vem ajudar à festa: “O meu weblog é melhor que o teu!”, “Eu cheguei aqui primeiro que tu!”. Esperemos pelas cenas dos próximos capítulos…

Portugal é isto…

Hoje passei pelas obras de uma grande urbanização e deparei-me com a cena que passo a descrever.
Cerca de oito indivíduos “engravatados”, com ar de engenheiros, a maioria dos quais do sexo feminino, conversavam entre si, uns com plantas nas mãos, outros com pastas debaixo dos braços, alguns de braços cruzados olhando em redor. A três passos destes, um operário, emigrante de leste, devidamente equipado com um colete verde fluorescente e capacete, ía calcando as pedras duma nova calçada. Ao lado, um empreiteiro típico, barrigudo, telemóvel ao cinto, ía-lhe dando as indicações, Calca aqui, agora mais ao lado. Trata-se de uma grande urbanização que está agora a concluir a fase dos arruamentos. Estes eram os únicos “trabalhadores” presentes.
Ninguém acha estranho, pois não? Estamos habituados. Têm-se levantado algumas vozes afirmando que há demasiadas pessoas a entrar para o ensino superior, e que teremos falta de canalizadores, pedreiros, padeiros, empregadas de limpeza, serralheiros… Eu não vejo nada de novo. Pelo menos desde os descobrimentos que somos peritos em entregar os trabalhos que consideramos menos nobres aos outros. Os escravos primeiro, depois os negros – apesar de livres, agora os “ucranianos”. Não precisamos de ter um curso superior para isso. Todos sabem que os portugueses nascem para não fazer nenhum, ou quando muito, nascem para mandar. É como uma espécie de “segredo” conhecido por todos, algo de que não se fala, mas que se aceita sem pensar. Um “bom emprego” é aquele em que não se faz nenhum e se ganha bem, ainda que aborrecido de morrer.
Não quero com isto dizer que não sejamos um povo acolhedor e solidário. Recebemos bem os estrangeiros. Não só lhes damos trabalho, como os fazemos sentir em casa. O povo português sempre foi reconhecido por não ser racista…
Peço desculpa. Há um povo de que não gostamos. Só excluímos os ciganos das nossas boas-relações. Afinal de contas, eles são uma cambada de preguiçosos que não sabem fazer nada. Como poderíamos gostar deles?

Guerra não

O Bloco de Esquerda criou um cartaz para colar no carro (ou noutro lado qualquer). Pode ser encontrado e imprimido a partir daqui (pdf).

Internet: entre o efémero e o eterno

Eu sei que disse que ía escrever muito esporadicamente, mas o que é que se há-de fazer? :)

Ontem, após colocar esta página online, enviei um mail para cerca de 40 pessoas da minha lista de contactos para os avisar que esta coisa estava de volta. Algumas das pessoas a quem enviei este mail, não são propriamente “amigos do peito”, mas mantive algum contacto com elas durante certo tempo (quer no IRC, quer via ICQ e email). Poucos minutos depois, recebi os devolvidos: oito deles não foram entregues, ou porque o endereço dos destinatários deixou de existir, ou porque a caixa postal estava cheia. Algumas destas pessoas partilhavam as mesmas ideias que eu, interessavam-se pelas mesmas coisas, eram boas conversadoras, amigos em potência. Agora, não tenho outra forma de entrar em contacto com elas. Assim como por breves instantes as nossas vidas se cruzaram (ainda que virtualmente), também de um momento para o outro a nossa amizade em potência se desvanece…

No outro extremo, estão velhas páginas da world wide web. Já repararam na enorme quantidade de informação inútil que se vai acumulando de dia para dia em servidores espalhados um pouco por todo o mundo? Dou dois exemplos concretos em que eu participo, directamente e indirectamente. Estas páginas hoje, deixaram de ter razão de ser, mas ou porque o autor se esqueceu da password do ftp e não tem como acabar com o sítio, ou porque se esqueceu que aquilo existia, ou simplesmente porque não quer saber, elas continuam lá, imutáveis, como se tivessem sido criadas ontem, e tudo indica que daqui a 10 anos, lá estarão. Dei dois exemplos, mas há milhões de páginas deste tipo. Algumas até dizem a data da última actualização, ainda do século passado, e quem sabe não aguentam até ao próximo…
Pode existir algum interesse, claro. As próximas gerações podem ver aquilo que os seus avós (nós) pensavam, acreditavam, sentiam e criavam. E o preço a pagar? Quantos terabytes de dados ocupam estas páginas em servidores por todo o mundo? Possivelmente servem apenas para aumentar o palheiro em que a www se vai transformado dia após dia. Por enquanto, valha-nos o Google, que consegue encontrar as agulhas perdidas, mas a continuar assim, será que essa busca ainda pode ser realizada daqui a uma década?