Internet: entre o efémero e o eterno

Eu sei que disse que ía escrever muito esporadicamente, mas o que é que se há-de fazer? :)

Ontem, após colocar esta página online, enviei um mail para cerca de 40 pessoas da minha lista de contactos para os avisar que esta coisa estava de volta. Algumas das pessoas a quem enviei este mail, não são propriamente “amigos do peito”, mas mantive algum contacto com elas durante certo tempo (quer no IRC, quer via ICQ e email). Poucos minutos depois, recebi os devolvidos: oito deles não foram entregues, ou porque o endereço dos destinatários deixou de existir, ou porque a caixa postal estava cheia. Algumas destas pessoas partilhavam as mesmas ideias que eu, interessavam-se pelas mesmas coisas, eram boas conversadoras, amigos em potência. Agora, não tenho outra forma de entrar em contacto com elas. Assim como por breves instantes as nossas vidas se cruzaram (ainda que virtualmente), também de um momento para o outro a nossa amizade em potência se desvanece…

No outro extremo, estão velhas páginas da world wide web. Já repararam na enorme quantidade de informação inútil que se vai acumulando de dia para dia em servidores espalhados um pouco por todo o mundo? Dou dois exemplos concretos em que eu participo, directamente e indirectamente. Estas páginas hoje, deixaram de ter razão de ser, mas ou porque o autor se esqueceu da password do ftp e não tem como acabar com o sítio, ou porque se esqueceu que aquilo existia, ou simplesmente porque não quer saber, elas continuam lá, imutáveis, como se tivessem sido criadas ontem, e tudo indica que daqui a 10 anos, lá estarão. Dei dois exemplos, mas há milhões de páginas deste tipo. Algumas até dizem a data da última actualização, ainda do século passado, e quem sabe não aguentam até ao próximo…
Pode existir algum interesse, claro. As próximas gerações podem ver aquilo que os seus avós (nós) pensavam, acreditavam, sentiam e criavam. E o preço a pagar? Quantos terabytes de dados ocupam estas páginas em servidores por todo o mundo? Possivelmente servem apenas para aumentar o palheiro em que a www se vai transformado dia após dia. Por enquanto, valha-nos o Google, que consegue encontrar as agulhas perdidas, mas a continuar assim, será que essa busca ainda pode ser realizada daqui a uma década?

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