Liberdade

Junto neste post várias ideias que tenho andado para deixar aqui desde há algum tempo, mas que têm ficado “para depois”.

Imaginem que o Iraque de há um mês era o Portugal de há 30 anos. Imaginem que antes dos nossos pais lutarem pela liberdade, algum país bem intencionado decidia libertar-nos da opressão. Com que cara olharíamos hoje para os nossos pais? Uma geração que não teve a coragem de lutar, que precisou de ajuda para se libertar. Liberdade? Que liberdade seria esta?
“Os meninos à volta da fogueira // Vão aprender coisas de sonho e de verdade // Vão aprender como se ganha uma bandeira // Vão saber o que custou a liberdade”.
Que iriam eles contar às crianças? Que valor teria uma bandeira? Que custo teve aquela liberdade?
Se hoje ouvimos alguns saudosistas erguer a voz para dizer “Ai se o Salazar cá estivesse…”, o que diríamos todos se a liberdade tivesse sido conquistada por outros?
Quem me dera estar enganado, mas o novo Iraque não tem pernas para andar. Poderá viver de aparências durante anos, mas sem alma, está condenado a uma revolução interna para se encontrar.
Revolução. Evolução. É algo que começa dentro de cada indivíduo, não pode nunca ser imposta, nem vir de fora, ou será apenas um teatro, uma farsa.
Temos a sorte de viver num país que sentiu a necessidade de evoluir, mas temo pelo futuro. A memória é fraca e sinto em cada dia que passa um esmorecer dum fogo ateado à 29 anos.
Que será de nós quando morrerem os últimos velhos revolucionários? Que será dos nossos filhos, que apenas saberão esta história pelos livros? Que será de Portugal quando não houver mais quem possa dizer “Eu estive lá”? Depressa iremos esquecer…
Quando morrer o último homem que chora ao recordar uma canção de Abril, que será de nós, Portugal?

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