Ecos do passado

Como prometido há dois posts atrás, aqui fica um.

Matemática

Merda
Estou na aula de matemática
Não compreendo nada
Como não compreendo
A vida
O que faço aqui
Não sei
Limito-me a estar cá
Assistir a tudo
Mas nada foi feito para mim
Sinto-me um estranho
No meio de
Ninguém
Não há ninguém
Apenas o vazio
Total
E esta aula
Interminável
Que ainda nem começou
Mas que não compreendo
À partida
Como não compreendo
O que faço aqui
Limito-me a observar
Sim, isso faço bem
Observar
Compreendo os outros
Porque observo
(Integrais, o prof. fala de integrais
Como se isso importasse
Sim quem sabe
Isso seja o que realmente
Importa nesta vida
Integrais)
Mas não me compreendo a mim
Quem sou
Porque sou
Para quê
Por quem
Para quem
Estou aqui
Existo
Ou
Um sonho
Sou um sonho
Mas de quem
Só eu
De mim mesmo
Ninguém mais me sonharia
Não há mais
Ninguém
Só eu
Sempre eu

E esta aula
De matemática
(Seja f uma função
Integrável em qualquer
Intervalo fechado)
Não percebo
Nada
Merda!

Carlos Franquinho, 7 de Janeiro de 1999

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