Amizades

Fazer amigos, não para os coleccionar, mas simplesmente pelo prazer de fazer amigos.
A fase inicial das amizades, é algo estranha. Começamos por fazer um juízo uns dos outros. Caso exista interesse mútuo em fazer progredir a amizade, inicia-se um jogo de sedução muito semelhante ao namoro. Comportamo-nos perante o eventual amigo, da maneira que achamos que ele quer que nos comportemos. Começamos por “exibir” as nossas qualidades, mostrando como poderá ser vantajoso para a outra parte o estabelecer de laços mais fortes. Temos o máximo de tacto nesta fase do relacionamento, ou tudo poderá acabar antes de ter começado.
Passada esta primeira fase, vem a fase das fraquezas. Começamos a revelar outro aspecto de nós próprios: uma parte menos confiante, mais humana. Deixamos de ser um ser perfeito.
Finalmente, estabelecidos os elos iniciais, apresentamos os defeitos, uma vez que, afinal de contas, todos os temos. Nesta fase, ambas as partes estão mais receptivas para os aceitar, e por norma, acabarão por aceitá-los como inevitáveis.
A seguir, vem a fase mais crítica. Estabelecidos os laços fortes da amizade, esquecemos muitas vezes que por muito forte que seja, é algo muito frágil, que precisa ser tratado com muito cuidado. Temos a amizade como certa, como um objectivo conquistado, e começa o desleixo. Contamos com o outro, esquecendo-se que o outro conta connosco.

Não pensem que este texto foi fruto de um estudo profundo ou de uma análise científica do fenómeno. Pensei apenas naquela primeira fase, o resto foram apenas letras que se encadearam umas à frente das outras, em pouco mais que 10 minutos…

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