Archive for Setembro, 2003

Jornalistas ao ataque

Acabei de receber dois emails de jornalistas a pedir o meu contacto para uma pequena entrevista sobre blogs (um via ptbloggers, outro via eternos). A minha resposta vai ser a mesma que dei a uma jornalista da RTP há tempos: poderá fazer-me as perguntas que quiser por email e apenas por email.
Este é um “blogger” que não está interessado em fama, não sonha ver os seus projectos em jornais e se sente muito bem entre a multidão anónima.
Desde que surgiu este interesse dos media pelos blogs que fiquei com muitas dúvidas relativamente ao assunto. Julgo que na mesma altura surgiram muitos novos bloggers que aproveitaram para tentar alcançar a fama, mas esse não é, definitivamente, o meu caso. Blogo desde 1999, numa altura em que era considerado um freak por fazê-lo, e nunca o fiz com a intenção de “ser conhecido”.
Porque não divulgar os blogs nos media? A resposta é simples… A partir do momento em que lhe dá esse tipo de divulgação, começamos, ainda que inconscientemente, a escrever para um “público”, e não para nós mesmos. Perde-se a intimidade, o lado escuro e underground dos blogs. Se já perdi muito do meu interesse devido à projecção excessiva que tem sido dada aos blogs, nunca iria dar um empurrãozinho também…
Apenas os blogs têm algo de vagamente público. O “eu” que os escreve, é totalmente privado (apesar de eu revelar bastante).
Daí, caros jornalistas que eventualmente cheguem a este blog, estão fora de questão entrevistas telefónicas ou encontros pessoais. Terei muito gosto a responder a algumas questões por email (caso aceitem essa limitação), e nada mais. Entretanto, não se preocupem! Se procuram pessoas que queiram aparecer em fotografias ou na TV, elas não são difíceis de encontrar (difícil é fugir-lhes!).
Há sempre excepções, claro. Estou a lembrar-me duma jornalista estagiária do DN, que não me lembro o nome (mas que começa em I e acaba em A), por quem aceitaria ser entrevistado. No RL também é capaz de haver uma… :)

Cultura das vielas

Se não quer morrer ignorante, consulte How do I swear in foreign languages, e aprenda a dizer palavrões em todas as línguas! :)

Virgindade técnica

Encontrei o link num blog, fui ver e não consigo chegar à conclusão se é tudo uma grande piada escrita num tom sério, ou se é realmente sério.
Estava para deixar umas citações, mas o melhor é verem com os vossos próprios olhos: Technical Virgin.

Update: acabei de ler a FAQ. É uma paródia. Muito bem feita, por sinal. Uff…

Blogosfera mais pobre.

Depois do fim do blogo, logo existo, a Ana e o Pedro decidiram também terminar o posto de escuta. A comunidade de weblogs portugueses está definitivamente mais pobre.
Este casal (?), sobre quem sabemos tão pouco, marcou definitivamente uma época na blogoesfera. Sempre se conseguiram distanciar das polémicas, sempre mantiveram um anonimato que lhes permitiu um afastamento saudável – ficam apenas saudades, e a convicção de que fizeram um trabalho irrepreensível, e imensamente inspirador, na parte que me toca.
Sempre me senti um pouco responsável pelo fim do blogo, mas sempre recebi da parte deles, apenas palavras de incentivo. São raras pessoas assim no mundo dos blogs, acreditem…
Já me tinha ocorrido criar algo semelhante ao posto de escuta, mas nunca o fiz, porque o posto já era perfeito. Como nunca julguei conseguir fazer melhor, não tentei sequer igualá-lo.
Agora, e caso a decisão da Ana e do Pedro seja irreversível, fica uma brecha a explorar… Pelos “ecos” que restam, não tenho o mesmo respeito, nem a mesma gratidão que tinha pelo trabalho da Ana e do Pedro. Pelo contrário, agora tenho a convicção que poderei fazer melhor que os simples plagiadores que restam…

Português-Emigrês

Passam-me pelos olhos largas dezenas de blogs todas as semanas. Costumo encontra algumas pérolas nalguns deles, mas tento sempre resistir a citá-los. Desta vez não consegui, e vão os cumprimentos ao Quarto Segredo da Fátima:

«”- Em França pagamos quase tudo com bilhetes e peças!” Trata-se de notas e moedas. Um corolário é que os “bilhetes” de euro são iguais cá e na França.
“- É só montar estas escadas e estamos lá!”. Olhei para as escadas. Já estavam feitas à anos e não eram de bricolage… a tradução de “montar” é subir….
“- E não estou a rir, ahn?!”. A falta que faz a palavra “irónico” quando não a conhecemos.
“- Alors, então?!” Um clássico da tradução simultânea.
“- O IP4 estava carregado!” Trânsito intenso no IP4. »

Acrescento uma que ouvi este ano: “No Algarve não havia vagas”. Não, não se tratava dum problema de lotações esgotadas. O que o autor queria dizer é que não havia ondas