Filatelia I – Chile I
Na falta de palavras, de tempo, de paciência… Restam as imagens, que falam por si. Nos próximos tempos/anos, irei enviar periodicamente algumas imagens de alguns dos incontáveis selos da minha colecção. Totalmente ao acaso.

Na falta de palavras, de tempo, de paciência… Restam as imagens, que falam por si. Nos próximos tempos/anos, irei enviar periodicamente algumas imagens de alguns dos incontáveis selos da minha colecção. Totalmente ao acaso.

Lembro-me que já utilizei este título num outro post, num outro blog, numa outra era.
Hoje o motivo é outro: trabalho. Foi-nos anunciado que irão ser reduzidos dois postos de trabalho no meu local de trabalho. Não temo (para já) pelo meu emprego, mas estas medidas, aliadas a tudo o que tem vindo à tona relativamente às intenções desta administração, leva-me a ficar bastante receoso quanto ao futuro. Na verdade, faltam-me os adjectivos para avaliar o meu estado de espírito. Ansioso, receoso, desiludido, semi-desesperado, inquieto. Nenhum deles é muito positivo, nem consigo encontrar hoje grandes motivos para sorrir. ![]()
Nestas alturas, apenas consigo pensar que estou totalmente no trabalho errado… Quaisquer elementos positivos se desvanecem… :\
Aproveitando a inclusão do link para o blog Aldeia de Amor, deixo-vos aqui uma das inúmeras versões da lenda poética que relata a origem do nome da minha aldeia:
Foi o desvio amoroso por essa louçana de corpo delgado que deu origem à poética lenda com que se explica a toponímia da bucólica aldeia de tão sugestivo nome: aldeia de Amor – nos arredores litorâneos de Leiria.
Contou-a Júlio Dantas em páginas onde a imaginação do romancista entreteceu artisticamente a ficção histórica com a graça da narrativa tradicional. Também o Conde de Sabugosa a conta por forma aproximada atribuindo o local da cena ao Lumiar. Tudo indica, porém, que se trata da povoação de Amor e do pinhal de Leiria. A flor do piño das suas cantigas identifica suficientemente a paisagem e o local que o Trovador criara e duplamente compusera com a sementeira do pinhal e a conquista agrária do paúl de Ulmar. Ambas as poesias parecem estar ligadas à mesma história de amor.
E quanto ao entrecho da lenda, divergem aquelas narrativas da versão da tradição local, nossa conhecida desde criança. Cremos que deve ser esta a primitiva forma, pois que nas outras, além de psicologicamente falsas no que respeita à Rainha, falta o elemento do maravilhoso e a intervenção do sobrenatural que nesta existe e é característica das legendas áureas que se referem à vida das santas.
É pois na forma que julgamos primitiva que vamos contar a formosa lenda.
Em seus paços de Leiria a abandonada real sofria com a suspeita dos devaneios del-Rei nas furtivas saídas do baiozinho para as bandas do litoral, porventura com o pretexto de inspeccionar a enorme floresta em que pusera tão subido interesse e donde não voltava senão tardiamente e a más horas…
Ora, numa noite de lua nova, regressava o enamorado do seu abrigo de amor quando, em meio da escuridão, começou a ver surgir ao longo dos caminhos, ígneos e fantásticos bulcões de fogo, lumes espectrais que misteriosamente se erguiam e desfaziam no negrume da noite, espantando o baiozinho amedrontado e o cavaleiro que vertiginosamente corria em alucinante desfilada. Quando à chegada do palácio, ainda deslumbrado pela perseguição das chamas, el-Rei desmontou da cela do cavalo cujos músculos tremiam nervosamente sob a pele crispada e alagada de suor, deparou com Santa Isabel que voltava de rezar matinas na igrejinha castelã da Senhora da Pena. E contou-lhe, assombrado ainda pela maravilha, a aparição dos fantásticos fogachos por entre cujos clarões vinha de fazer uma corrida desvairada.
E logo Isabel, com um sorriso tímido na ingénua luz do seu olhar: Senhor! Decerto seriam luzes para alumiar os vossos olhos que tão ceguinhos andam de amor…
Cortez Pinto, Diónisos, Poeta e Rey
Esqueci-me de deixar aqui o apontamento duma carta registada que recebi à dias. O remetente era a minha chefe:
Assunto: Comunicação de Falta Injustificada
Em virtude de não ter comparecido ao trabalho no dia 9 de Outubro de 2003 e não ter justificado a sua ausência, vimos por este meio comunicar-lhe que foi considerado em Falta Injustificada.
É uma missiva curta, mas suficientemente indicativa da má fé e da incapacidade que move a actual administração. O sindicato optou por continuar a discussão sobre as faltas aplicadas aos largos milhares de trabalhadores (70%) que aderiram à greve, colocando a empresa em tribunal.
Entretanto, hoje tivemos uma reunião com a chefia, que se mostrou surpreendida com a nossa aderência à greve. Tentava ela compreender o que estava mal, porque não esperava tal adesão no nosso local de trabalho. Bem, como é óbvio, isto deu muita conversa. Primeiro, o M. atirou-lhe logo à cara que o que ela estava a fazer era anti-constitucional: em caso algum um trabalhador tem de explicar os motivos que o levam a fazer greve, seja a quem fôr. Ela lá se tentou escapar, dizendo que não estava a pedir explicações, mas que apenas gostava de compreender o que estava mal.
O A. disse então que fez greve por saber que não íamos receber subsídio de almoço em Novembro. Aí tivemos uma nova discussão sobre esse assunto, tentando ela justificar que certamente a administração não íria fazer nada de ilegal, bla bla bla. Não convenceu ninguém.
A C. tocou então no ponto, explicando o verdadeiro motivo da nossa adesão: excesso de trabalho. A L., que entretanto voltou para o lado da razão (como seria de esperar), atirou alguns argumentos bastante fortes acerca da impossibilidade de continuarmos com o sistema actual. A Engª alegou que estava uma reestruturação em curso e que íriamos tentar acertar o tamanho dos giros de maneira a não haver uns leves e outros pesados. Giros leves? Quais giros leves? Este tipo de afirmações, juntamente com a confissão de surpresa sobre a nossa aderência à greve, levam-me a concluir que ela não parece estar a desempenhar o seu papel muito correctamente. Parece-me um pouco a leste de tudo o que se passa, mas não é novidade: todos os seus inúmeros antecessores estiveram sempre na mesma situação.
Finalizou com um “bom dia de trabalho para todos”, sem sequer dizer algo do género “vamos ver o que se pode fazer”. Senti o pessoal muito desiludido com a reunião. Confesso-me bastante ansioso com o que o futuro nos trará. Não vejo forma de as coisas poderem continuar neste estado. Haverá um ponto em que a bomba explode, e aí, salve-se quem puder.
Eu não queria, mas desde à 7 minutos, sinto-me absurdamente velho.