Outubro, 2003


28
Out 03

Filatelia I – Chile I

Na falta de palavras, de tempo, de paciência… Restam as imagens, que falam por si. Nos próximos tempos/anos, irei enviar periodicamente algumas imagens de alguns dos incontáveis selos da minha colecção. Totalmente ao acaso.


23
Out 03

Fim de uma era

Lembro-me que já utilizei este título num outro post, num outro blog, numa outra era.
Hoje o motivo é outro: trabalho. Foi-nos anunciado que irão ser reduzidos dois postos de trabalho no meu local de trabalho. Não temo (para já) pelo meu emprego, mas estas medidas, aliadas a tudo o que tem vindo à tona relativamente às intenções desta administração, leva-me a ficar bastante receoso quanto ao futuro. Na verdade, faltam-me os adjectivos para avaliar o meu estado de espírito. Ansioso, receoso, desiludido, semi-desesperado, inquieto. Nenhum deles é muito positivo, nem consigo encontrar hoje grandes motivos para sorrir. :(
Nestas alturas, apenas consigo pensar que estou totalmente no trabalho errado… Quaisquer elementos positivos se desvanecem… :\


21
Out 03

Amor

Aproveitando a inclusão do link para o blog Aldeia de Amor, deixo-vos aqui uma das inúmeras versões da lenda poética que relata a origem do nome da minha aldeia:

Foi o desvio amoroso por essa louçana de corpo delgado que deu origem à poética lenda com que se explica a toponímia da bucólica aldeia de tão sugestivo nome: aldeia de Amor – nos arredores litorâneos de Leiria.

Contou-a Júlio Dantas em páginas onde a imaginação do romancista entreteceu artisticamente a ficção histórica com a graça da narrativa tradicional. Também o Conde de Sabugosa a conta por forma aproximada atribuindo o local da cena ao Lumiar. Tudo indica, porém, que se trata da povoação de Amor e do pinhal de Leiria. A flor do piño das suas cantigas identifica suficientemente a paisagem e o local que o Trovador criara e duplamente compusera com a sementeira do pinhal e a conquista agrária do paúl de Ulmar. Ambas as poesias parecem estar ligadas à mesma história de amor.

E quanto ao entrecho da lenda, divergem aquelas narrativas da versão da tradição local, nossa conhecida desde criança. Cremos que deve ser esta a primitiva forma, pois que nas outras, além de psicologicamente falsas no que respeita à Rainha, falta o elemento do maravilhoso e a intervenção do sobrenatural que nesta existe e é característica das legendas áureas que se referem à vida das santas.

É pois na forma que julgamos primitiva que vamos contar a formosa lenda.

Em seus paços de Leiria a abandonada real sofria com a suspeita dos devaneios del-Rei nas furtivas saídas do baiozinho para as bandas do litoral, porventura com o pretexto de inspeccionar a enorme floresta em que pusera tão subido interesse e donde não voltava senão tardiamente e a más horas…

Ora, numa noite de lua nova, regressava o enamorado do seu abrigo de amor quando, em meio da escuridão, começou a ver surgir ao longo dos caminhos, ígneos e fantásticos bulcões de fogo, lumes espectrais que misteriosamente se erguiam e desfaziam no negrume da noite, espantando o baiozinho amedrontado e o cavaleiro que vertiginosamente corria em alucinante desfilada. Quando à chegada do palácio, ainda deslumbrado pela perseguição das chamas, el-Rei desmontou da cela do cavalo cujos músculos tremiam nervosamente sob a pele crispada e alagada de suor, deparou com Santa Isabel que voltava de rezar matinas na igrejinha castelã da Senhora da Pena. E contou-lhe, assombrado ainda pela maravilha, a aparição dos fantásticos fogachos por entre cujos clarões vinha de fazer uma corrida desvairada.

E logo Isabel, com um sorriso tímido na ingénua luz do seu olhar: Senhor! Decerto seriam luzes para alumiar os vossos olhos que tão ceguinhos andam de amor…

Cortez Pinto, Diónisos, Poeta e Rey


21
Out 03

Ainda a greve

Esqueci-me de deixar aqui o apontamento duma carta registada que recebi à dias. O remetente era a minha chefe:

Assunto: Comunicação de Falta Injustificada

Em virtude de não ter comparecido ao trabalho no dia 9 de Outubro de 2003 e não ter justificado a sua ausência, vimos por este meio comunicar-lhe que foi considerado em Falta Injustificada.

É uma missiva curta, mas suficientemente indicativa da má fé e da incapacidade que move a actual administração. O sindicato optou por continuar a discussão sobre as faltas aplicadas aos largos milhares de trabalhadores (70%) que aderiram à greve, colocando a empresa em tribunal.

Entretanto, hoje tivemos uma reunião com a chefia, que se mostrou surpreendida com a nossa aderência à greve. Tentava ela compreender o que estava mal, porque não esperava tal adesão no nosso local de trabalho. Bem, como é óbvio, isto deu muita conversa. Primeiro, o M. atirou-lhe logo à cara que o que ela estava a fazer era anti-constitucional: em caso algum um trabalhador tem de explicar os motivos que o levam a fazer greve, seja a quem fôr. Ela lá se tentou escapar, dizendo que não estava a pedir explicações, mas que apenas gostava de compreender o que estava mal.
O A. disse então que fez greve por saber que não íamos receber subsídio de almoço em Novembro. Aí tivemos uma nova discussão sobre esse assunto, tentando ela justificar que certamente a administração não íria fazer nada de ilegal, bla bla bla. Não convenceu ninguém.
A C. tocou então no ponto, explicando o verdadeiro motivo da nossa adesão: excesso de trabalho. A L., que entretanto voltou para o lado da razão (como seria de esperar), atirou alguns argumentos bastante fortes acerca da impossibilidade de continuarmos com o sistema actual. A Engª alegou que estava uma reestruturação em curso e que íriamos tentar acertar o tamanho dos giros de maneira a não haver uns leves e outros pesados. Giros leves? Quais giros leves? Este tipo de afirmações, juntamente com a confissão de surpresa sobre a nossa aderência à greve, levam-me a concluir que ela não parece estar a desempenhar o seu papel muito correctamente. Parece-me um pouco a leste de tudo o que se passa, mas não é novidade: todos os seus inúmeros antecessores estiveram sempre na mesma situação.
Finalizou com um “bom dia de trabalho para todos”, sem sequer dizer algo do género “vamos ver o que se pode fazer”. Senti o pessoal muito desiludido com a reunião. Confesso-me bastante ansioso com o que o futuro nos trará. Não vejo forma de as coisas poderem continuar neste estado. Haverá um ponto em que a bomba explode, e aí, salve-se quem puder.


21
Out 03

29 anos

Eu não queria, mas desde à 7 minutos, sinto-me absurdamente velho. :(