I want to ride my bicycle

Desde há cerca de um ano, quando viemos morar para a Marinha Grande, que nos surgiu a ideia de comprar um par de bicicletas para podermos usufruir convenientemente do ambiente que nos rodeia.

Ora, não tendo feito segredo desta nossa vontade, acabei por receber a minha bicicleta no passado dia 21, no meu dia de anos! :)

Nada como um Sábado com uma tarde desocupada e um Sol invejável para testar o veículo. :D

A intenção era, à partida, experimentar a bicicleta, o piso das ciclovias e a minha forma física…

Para tal, saí da Marinha Grande em direcção a São Pedro de Moel, deixando o resto do percurso em aberto. Acabou por ser um pouco mais longo do que previra!

percurso bicicleta

Foram 35 km, a uma velocidade média de 15 km/h e máxima de 42 km/h. Nada mau, para uma primeira vez!


O piso

Embora a região seja servida com algumas das mais extensas ciclovias que conheço, há ainda algumas vozes que reclamam por mais. Dada a utilização que é tradicionalmente dada a este meio de transporte dentro da cidade, vejo-me obrigado a concordar. A construção deste tipo de trilhos desde o interior da cidade, com destaque para as estradas Marinha Grande – Vieira de Leiria e Marinha Grande – Nazaré, seria uma mais valia inestimável!

Eu tomei o caminho de São Pedro de Moel, e também aqui, fazem falta os poucos quilómetros que ligam o centro da cidade até ao Pinhal.

Finalmente chegados ao Pinhal de Leiria, o trilho obrigatório para ciclistas e peões revela-se de uma utilidade indiscutível. A velocidade a que os carros passam na estrada faz-nos perceber que mais que uma questão de comodidade, a ciclovia está ali por questões de segurança!

O troço Marinha Grande – São Pedro de Moel é o mais antigo do percurso que rodei neste dia, e isso nota-se. Aqui e ali começam a surgir alguns remendos no alcatrão, que numa via deste tipo se tornam bastante incómodos. Obviamente os senhores que colocam o alcatrão não costumam passar por lá de bicicleta, ou seriam mais zelosos!

Já o percurso São Pedro de Moel – Praia das Paredes, está em melhor estado, certamente por ser mais recente. Na via em torno do Vale das Paredes começam a surgir alguns buracos, essencialmente no lado Norte. Vamos ver como irá a Câmara de Alcobaça remendá-los.

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A bicicleta

Confesso perceber muito pouco do assunto! Portou-se bem. Eu pedalava, ela rodava. Eu travava, ela desacelerava! :P

Não estou habituado a ter 21 mudanças, e isso pode tornar-se um pouco confuso, mas imagino que seja uma questão de hábito. Nalguns momentos, a última mudança, supostamente mais pesada, pareceu-me leve demais. Poderia nessas ocasiões ter puxado mais por ela, e não consegui.

Ao fim de cerca de 20 km, o selim começou a tornar-se desconfortável. O meu rabo já ansiava por outro tipo de assento. Desconheço se o defeito seria do c* ou das calças… :D

Natureza

Ao longo do percurso, passei por inúmeras filas de processionárias. A tristemente célebre Traumatocampa pityocampa está aí em força. Como sempre, estes pequenos seres colocam-me num dilema. Sou apologista da não interferência com a Natureza e sempre que posso, tiro as minhas fotos ou observo sem causar impacto. Sabendo que estas larvas são as maiores responsáveis pela destruição dos nossos pinhais (logo a seguir aos fogos), o que fazer? Passar-lhe com os pneus por cima ou dar a volta…?

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Passei por várias filas delas totalmente espezinhadas ou queimadas. Alguém não demonstra as mesmas dúvidas que eu quanto à interferência… Mas teremos nós o direito de fazer a escolha entre os pinheiros e as lagartas?

Chegando à Praia das Paredes, assisti ao maior ajuntamento de gaivotas que me consigo lembrar! Como não me vou pôr a contá-las, deixo-vos apenas a foto.

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Dificuldades

Chegando às Paredes, caí na asneira de descer à Praia. Ora uma vez lá em baixo, é necessário voltar a subir. Pois, pois… As mudanças baixinhas mostraram finalmente a sua utilidade, e o ciclista chegou lá acima bastante ofegante. Podemos rodar 15 km sem praticamente os sentir passar, mas bastam 200 metros numa subida íngreme para finalmente sentir o cansaço!

Como não queria voltar pelo mesmo caminho, decidi subir pelo outro lado, o que me obrigou a dar a volta ao Vale das Paredes. Outra asneira. Aquilo de carro até parece fácil, mas revelou-se bem mais comprido do que eu me lembrava! O Vale em si, sempre me intrigou e um dia tenciono explorá-lo, mas não vejo outra maneira de o fazer senão a pé…

No regresso, escolhi a estrada do Tremelgo, não só para mudar de vista, mas também para testar um piso mais “bruto”. O velocípede portou-se lindamente, o suporte improvisado para o GPS (fita-cola), no entanto, revelou ali a sua fraqueza… :P

Os outros

Ao longo deste percurso, cruzei-me com cerca de uma vintena de outros ciclistas. Todos, sem excepção equipados a rigor, dos pés à cabeça. Eu era o único de calças de ganga e t-shirt. Se não quero dar nas vistas, parece-me essencial investir num equipamento completo…

Apesar da sinalização que explica bem a proibição, ainda se encontram idiotas com veículos motorizados a destruir as dunas… Não é de admirar: não passei por qualquer carro da polícia ao longo das duas horas que andei na estrada.

Sente-se que o pessoal de carro tem inveja dos ciclistas. Eu também já estive no lugar deles e sentia o mesmo. :)

A paisagem

Deslumbrante. Mas isso é algo que já sabia. Para nós que moramos por perto, é fácil esquecer a beleza daquilo que temos como garantido…

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Forma física

Não foi minha intenção testar-me até ao limite. Não posso afirmar que me tenha cansado muito (excepto na subida das Paredes). Tivesse eu saído de manhã cedo, e iria certamente mais longe. Na próxima aventura sozinho, ou com companhia que se disponha a isso, tenciono chegar à Nazaré.

A lembrar

Levar água. Duh!

Levar lenços de papel.

Deixar a máquina fotográfica em casa, ou arranjar uma mochila. A mala habitual torna-se demasiado incómoda.

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7 comments

  1. Não sabia que tinhas uma bina! :P tou a mentir, por acaso a Isa disse-me à uns dias :D num futuro próximo espero voltar a andar com a minha, depois temos de dar umas voltas :) 21 mudanças não te permitem explorar bem isso de andar de bina, até porque devem ter relações muito espaçadas. 27 é sempre melhor, mas isso é um coisa que à medida que tempo passa se vai començando a sentir e investir ;) Powerade é mais eficaz que água que só consegue matar a sede, e esse problema da máquina sei bem como é, e para mim a melhor solução é uma máquina pequena :D embora a mochila também resulta mas tem de se parar durante mais tempo para tirar fotografias.

  2. Também comecei a andar numa bicicleta com mudanças há coisa de duas semanas, mas ainda não consegui acertar com aquilo :/

    Em todo o caso, obrigado pelo pequeno vislumbre do que é qualidade de vida (belas fotografias, como sempre) :)

  3. Romulo: era precisamente em ti que estava a pensar quando escrevi “com companhia que se disponha a isso, tenciono chegar à Nazaré”… :D

    Pedro: qualidade de vida seria poder fazê-lo quando me apetecesse, e não, como aconteceu, sentir remorsos por não estar a fazer o que devia. Como estudar Geologia, por exemplo… :P

  4. 35 km logo da primeira vez… ok. És oficialmente o meu herói! E essas lagartas são nojentas, e para além de fazerem mal aos pinheiros dão cabo de alguns gatos mais curiosos. Eu provavelmente passava-lhes por cima. Ou não, já que normalmente ou incapaz de fazer mal a qq bicho. Mesmo a lagartas nojentas :P

  5. Boas, excelente descrição e fotos. Reparei que tem o percurso assinalado no Google Earth. Por acaso poderia disponibilizar o track gps se o tiver?
    Faço intenção de me deslocar á Marinha Grande e experimentar essas ciclovias e sentiria mais á vontade se tivesse alguma orientação. Obrigado

  6. Excelente material, para quem como eu, quer ir ciclo pedalar na zona! De igual modo como no ultimo contacto, gostaria de lhe pedir se fosse possivel para me disponibilizar o track das pistas da zona.
    muito obrigado.

  7. Nuno, Gonçalo:
    Já não tenho o track gps, mas poderei, eventualmente, criar um no Google Earth e disponibilizá-lo aqui.

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