Granitos e calcários de Portugal

Muito embora o texto, finalizado à pressa, não tenha ficado inteiramente do meu agrado, mantendo a tradição, aqui fica!

Em Portugal é possível encontrar uma diversidade de paisagens cuja beleza natural foi sendo moldada, ao longo do tempo, pelos diferentes tipos de rocha que constituem cada um dos recantos do país.

Nas regiões graníticas, como é o caso da Serra da Peneda-Gerês ou da Serra da Estrela, sobressaem os caos de blocos, formações resultantes da meteorização ao longo dos planos das fissuras da rocha. Estas fissuras, provocadas por redes de diaclases, favorecem a circulação de águas de infiltração, que vão arredondando e arenizando progressivamente estes blocos.

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Também as bolas graníticas e as pedras bolideiras têm origem no mesmo processo de meteorização, constituindo por vezes ex-libris turísticos das paisagens em que se inserem.


São, porém, os glaciares de vale os mais grandiosos modeladores deste tipo de relevo. A acção erosiva do imenso peso do gelo, molda, muito lentamente a paisagem nos característicos vales em U, como é o caso do Vale do Zêzere. Quando, finalmente, o glaciar desaparece, entre os sedimentos resultantes do processo erosivo, encontram-se os tilitos, a argila dos tilitos ou, nos lagos de origem glaciária, as varvas.

Nas regiões calcárias, caso da Serra de Aire e Candeeiros e da Serra do Sicó, as águas subterrâneas desempenham um papel preponderante na modelação da paisagem. A morfologia cársica é responsável pela fraca cobertura vegetal que encontramos nestas regiões. A infiltração da água em profundidade, impede um elevado desenvolvimento vegetal, encontrando-se a rocha, geralmente exposta. O alargamento das fendas através da dissolução origina uma rede de sulcos, no fundo dos quais se encontra geralmente uma característica argila avermelhada: a terra rossa. Estas formas de relevo, os lapiás, são comuns nos maciços calcários.

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Também as dolinas, os poljes e os algares são formas típicas das regiões calcárias.

Na realidade, a facilidade de dissolução do carbonato de cálcio permite que, por acção da água, surjam, ao longo do tempo, inúmeras formações características deste tipo de relevo.

A presença de rios, ou ribeiros, nas regiões calcárias dá origem a vales de paredes quase verticais – os canhões. Também os solos graníticos, embora sem tanta espectacularidade, estão sujeitos a este tipo de erosão.

Os cursos de água, servem também como meio de transporte para materiais sólidos que, por atrito, contribuem também para a erosão dos leitos. Formações como as marmitas de gigante, formam-se assim por acção dos seixos transportados na água.

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Apesar das evidentes diferenças entre as paisagens graníticas e calcárias, é a água, em ambos os casos, embora por processos distintos, o principal agente modelador do terreno. Seja por contribuir para a dissolução da rocha, ou simplesmente por drenar os produtos resultantes, podemos afirmar que, sem água estas paisagens seriam quase imutáveis, desprovidas daqueles pequenos pormenores que as tornam únicas.

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2 comments

  1. Avaliação: 2.4 (em 4)

  2. Muito boa reportagem…

    Explica direitinho sobre o assunto….