Breve estudo sobre o lepidóptero Maculinea alcon (Denis & Schiffermüller, 1775)
A borboleta Maculinea alcon (Denis & Schiffermüller, 1775), é um dos 30 lepidópteros da família Lycaenidae que ocorrem em Portugal. Apesar de uma vasta distribuição, desde a Europa Central e Meridional até à Ásia Central, as suas populações, dispersas, encontram-se em declínio muito acentuado em determinadas áreas.
Tal como acontece com outras espécies do género Maculinea, esta borboleta tem um ciclo de vida tão complexo como curioso. Depois da eclosão dos ovos, a lagarta alimenta-se durante algum tempo da sua planta hospedeira, a Gentiana pneumonanthe. Após esta fase, no entanto, a larva abandona a planta e é “adoptada” por formigas do género Myrmica, residindo os nove a dez meses seguintes dentro do seu ninho, como parasita.
Embora as larvas de outros licaenídeos consigam protecção dos predadores estabelecendo uma relação de mutualismo com algumas formigas, esta espécie vai mais longe. Através de um engenhoso processo de sedução química, consegue levar as formigas que eventualmente a encontrem, a transportá-la para o seu formigueiro. Uma vez aí, este mimetismo químico leva as formigas a alimentá-las até à fase de crisálida, durante a qual continuarão a ter a protecção da sua “família adoptiva”.
A borboleta adulta emerge do seu casulo, ainda dentro do formigueiro, três a quatro semanas depois de iniciada a fase de pupa. Finalmente desprovido da sua protecção química, o lepidóptero precisa abandonar o formigueiro ou corre o risco de ser atacado pelas formigas. Uma vez ao ar livre, poderá, finalmente, expandir as asas e voar.

