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6
Fev 10

Acordo ortográfico? Sim!!

Antes que me acusem de defender uma escolha que não pratico, deixem-me confessar, primeiro, que resistirei enquanto me for possível e, mesmo depois de me render ao inevitável, continuarei certamente a cair no erro de escrever como sempre escrevi. Uma norma deste tipo não se adopta de um momento para o outro. A geração de transição está destinada a acabar os seus dias sem saber escrever “correctamente”.

Porque o defendo, então? Porque a língua evolui. Com ou sem acordo ortográfico, os nossos netos irão utilizar uma escrita tão distinta da actual como a nossa é distinta da dos nossos avós. E não estou a exagerar, a diferença é notória.

Para quem, tem como hobbie a leitura de papéis gastos pelos séculos, isto não é novidade. Para os restantes, talvez seja surpresa. As nossas consoantes mudas são um vestígio da escrita do passado, repleta de letras desnecessárias, herdadas de uma linguagem falada esquecida há séculos.

Alguns exemplos concretos são melhores que qualquer justificação que possa dar. São registos retirados da minha genealogia. A escolha recaiu sobre os textos mais facilmente legíveis – não foram escolhidos pela “estranheza” das palavras.

1909

Em 1909, há 101 anos, escrevia-se assim:

Aos vinte e seis dias do mez de setembro do anno de mil novecentos e nove, nesta egreja paroquial d’Amor, concelho de Leiria, diocese de Coimbra, baptizei solenemente um individuo do sexo femenino a quem dei o nome de Conceição, que nasceu nesta freguezia á uma hora da noite de vinte e um do corrente mez e anno, filha legitima de Manuel Pontes e de Emilia Silva, trabalhadores, naturaes, moradores, paroquianos e recebidos neste logar e freguezia d’Amor, neta paterna de Jose Pontes e Thomazia de Jesus e materna de Antonio Serra e Joaquina Silva. Foram padrinhos Manuel Rainho Junior, trabalhador e Possidona de Jesus, solteiros, os quaes todos sei serem os proprios. E para constar se lavrou em duplicado este assento que, depois de ser lido e conferido perante os padrinhos, que não sabem escrever, eu só o assigno. Era est supra. O Parocho Joaquim Gonçalves Margalhau

Mas não ficarei por aqui.

1805

Em 1805, há 205 anos, era esta a nossa ortografia:

Aos vinte e nove de Janeiro de mil outo centos e sinco baptizei e puz os Santos Oleos a Jose fº de Jose Ferrª Rico e sua mer Clara dos Ramos da Moita do Boi, netto Paterno de Antonio Ferrª Rico e sua mer Rosa Mª dos Stos do Cazal dos Loureiros junto a esta Vª e materno de Jose Frco Fazendeiro e de sua mer Maria dos Ramos do dº lugar da Mouta do Boy. Padrinhos Jose Leal solteiro, e Frca dos Ramos do dº lugar da Mouta do Boy. testª Mel Frco e Jose Frco Fazendeiro da Mouta do Boy de q fiz este assento dia, mez, e era est supra

Como podem reparar, também há 200 anos se abusava das abreviaturas. Não é característica exclusiva da geração-SMS.

1778

Em 1778, há 232 anos:

Aos sete de Mayo de mil e setecentos setenta e outo baptizou solemnemente e pôs os santos oleos o Rdo P. Coadjutor Joze Ferreira a Jozé nascido de oito dias, filho de Antonio Ferreira Rico, natural desta Villa e de sua Mulher Roza dos Santos, natural do lugar dos Bonitos, freguezia da Almagreira. Neto Paterno de Manoel Ferreira e de sua Mulher Francisca da Conceição, naturaes desta Villa, e pela parte Materna he Netto de Manoel Gonsalves e de sua Mulher Cristina dos Santos do lugar dos Bonitos da mesma freguezia de Almagreira. Forão Padrinhos Joze Teixeira desta Villa, e testemunhas Sebastião José e Joze Joaquim desta Villa, de que fis este assento, que assignei

Nem sempre é fácil distinguir os “s” dos “z”, e desde já peço as minhas desculpas pelos inevitáveis erros de transcrição. O melhor é tentarem ler os originais! :)

Em 1708, há 302 anos:

1708

Aos vinte de Fevereiro de mil e sette centos e outo annos, contrahirão Matrimonio in facie ecclesia em minha prezença e das testemunhas abaixo nomeadas, André Gaspar filho que ficou de João Lopes dos Ratos, e Magdalena Domingues filha que ficou de João Domingues das Biqueiras, sendo primeiro corridos os banhos sem impedimto e receberão as benções e forão testemunhas Manoel Frz’ Carrisso, Manoel Frco dos Ratos, Antonio Domingues da Foz, e outras mas pessoas, e por verdade fiz este assento, que assinei era est supra. O P. Cura João Frz’ de Almeyda

Finalmente, em 1697, há 313 anos, finais do século XVII:

1697

Aos trinta dias do mes de outubro de mil e seis sentos e noventa e sette annos baptizou e pos os santos oleos o P. Mel Nunes mor na mata da torre a Jozeph fº de Pº Simones e de sua molher Izabel Denis mres no Cazal do Bispo freguezia desta parrochial Igr de NSrª da vitoria deste lugar de Famalicão. forão padrinhos Mel Nunes o mosso e Izabel do Couto fª de Manoel do Couto e de Maria frca moradores no Cazal do Bispo, em certeza de que fis este acento em que me assiney dia era mes est supra. Lourenco de Almeida.

Com ou sem acordo ortográfico, a escrita evolui.

A troca de “s” por “z” foi uma constante ao longo dos séculos. O mesmo para os “u” e “o”, os “ou” e “oi”, os “ão” e “am” e tantos outros. Os “y”, que eram comuns há alguns séculos, desapareceram sem deixar rasto. Uma das surpresas maiores, a meu ver, é a ocorrência, há três séculos, do nome Joseph (e outro que não aparece nestes textos – Joam). Assim se escrevia, mas fica a questão: como seriam lidos?

Interrogo-me se os mais reticentes em aderir ao novo acordo, estariam dispostos a retroceder a escrever nestes formatos. Afinal de contas, estaríamos a recuperar uma tradição e estaríamos muito longe de abrasileirar a nossa língua!

Sejamos claros: faz tanto sentido escrever “correcto” como fazia sentido escrever “anno”, ou “solemnemente”. Para quê complicar? Se as letras estão lá a mais, então, que saiam…


24
Jan 10

O Nome do Vento

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Quando pego num livro de fantasia de um novo autor, não consigo deixar de sentir uma ligeira inquietação. Nos últimos anos, à medida que este género literário vai ganhando adeptos, as obras medíocres (algumas delas conseguindo atingir o patamar de best sellers), têm-se sucedido a uma velocidade vertiginosa.

A dura realidade é muito simples: depois do pioneirismo dos primeiros autores deste género, muito poucos têm trazido algo de novo. Sucedem-se as cópias e a reutilização de ideias mil vezes descritas. Assim, ao ler as primeiras linhas de um autor desconhecido, apenas me ocorre uma pergunta: quem irá este copiar?

As generosas críticas ao Nome do Vento fizeram-me acreditar que talvez, (talvez!), Patrick Rothfuss tivesse conseguido escrever algo diferente. Será?

A resposta não é simples nem linear.

Uma das críticas que me fez acreditar que A Crónica do Regicida (nome desta trilogia) merecia um olhar mais atento, foi a de Ursula K. Le Guin (umas das verdadeiras Autoras de literatura fantástica). Escreveu ela: “It is a rare and great pleasure to come on somebody writing the way (Patrick Rothfuss does), not only with the kind of accuracy of language that seems to me absolutely essential to fantasy-making, but with real music in the words as well…. Oh, joy!”

Por outro lado, algumas críticas com pretensão de positivas, acabam por ter o efeito contrário: “Os fãs de Harry Potter ansiando por uma nova série excitante não precisarão de procurar além de O Nome do Vento”, escreveu a Amazon. Palavras que, lamentavelmente, podem ser encontradas na capa da versão portuguesa deste livro.

Dando-lhe o benefício da dúvida, peguei no imenso livro de 966 páginas e dispus-me a lê-lo sem preconceitos.

Não foi à toa que falei de Ursula Le Guin e do Harry Potter. Efectivamente, a comparação com ambos é inevitável – essencialmente porque o Harry Potter tem muito de O Feiticeiro de Terramar de Ursula Le Guin. E, à semelhança de ambos, também o herói de O Nome do Vento é um jovem que sonha ser feiticeiro e ingressa numa escola. À semelhança de Terramar, também a magia de Rothfuss envolve os verdadeiros nomes das coisas. À semelhança do Harry Potter, também o herói desta nova história é órfão. As semelhanças, porém acabam aí.

O Nome do Vento não é literatura infanto-juvenil. Toda esta história se desenrola num ambiente muito mais tenebroso, violento e, por vezes, macabro. Apesar do protagonista ser jovem, as situações para que vai sendo, sucessivamente, arrastado, parecem-me demasiado intensas para um público juvenil.

Esta realidade, de certa forma, dá um novo contorno a toda a trama. Sem receio de invocar imagens de sangue ou sugestões de prostituição, Rothfuss aposta, definitivamente, num público mais exigente, afastando-se radicalmente das suspirantes adolescentes apreciadoras do jovem feiticeiro de J. K. Rowling.

A história é contada a dois tempos, com uma narrativa dentro de outra (e, por vezes, ainda com uma terceira, dentro da segunda!). Na prática, isto significa que temos algumas respostas antes de conhecermos a perguntas ou, dito de outra forma, conhecemos o final sem sabermos como fomos lá parar. Poderia tornar-se confuso, mas o autor consegue tornar clara toda a acção.

No final do primeiro livro da trilogia, a sensação que fica é comum a tantas outras obras separadas em diversos volumes: sabe a pouco. Aqui, no entanto, essa sensação é reforçada pelo nosso conhecimento da história contada a dois tempos.

Sem me querer atrever a ir demasiado longe, a leitura deste primeiro volume, dá-nos a sensação de termos lido o prólogo de uma história que ainda nem começou. São poucos os autores capazes de fazer isto.

Uma nota final para o inevitável filme que surgirá, mais ano menos ano: não será uma conversão fácil e, tenho até algum receio do resultado. Os livros do Harry Potter têm uma estrutura linear, totalmente cinematográfica e um público alvo muito específico. A vida de Kvothe (é esse o seu nome), por outro lado, é contada de trás para a frente e de frente para trás, e envolve a construção de um Universo tão rico como complexo. É possível fazê-lo, obviamente! A Bússola Dourada é um exemplo de uma brilhante adaptação. Infelizmente, há também alguns maus exemplos, entre os quais está o infeliz Feiticeiro de Terramar.


29
Dez 09

12 meses

Ideia: pegar nas 3790 fotos tiradas ao longo de 2009 e escolher uma que ilustre cada um dos meses do ano.
Duas horas depois: a ideia é boa mas bem mais difícil de concretizar do que estava à espera! :D

Janeiro

170109

História: 17 de Janeiro. Depois de uma tarde dedicada ao geocaching na zona da Nazaré, uma última cache, ao cair da noite, levou-nos ao porto. Não a encontrámos, mas ficou esta foto para recordação.

Fevereiro

150209

História: 15 de Fevereiro. Quase se repete a história do mês anterior! A companhia era diferente e a cache era outra – desta vez, foi encontrada!

Março

220309

História: 22 de Março. Batalha, a caminho de mais uma cache, o pópó ficou estacionado à sombra de um destes monstros eólicos.

Abril

250409

História: 25 de Abril. Convívio com o pessoal do CDP. De bicicleta da Marinha Grande à Praia das Paredes.

Maio

020509

História: 2 de Maio. No coração do Alentejo. Mini-férias dedicadas quase por inteiro ao geocaching e à descoberta de lugares únicos.

Junho

140609

História: 14 de Junho. Mês com poucas fotos, daí aparecer esta. É uma brincadeira. Eu não tenho bigode. Mas tenho borboletas na parede… :D

Julho

020709

História: 2 de Julho. Férias. Geocaching na Serra da Estrela. Na foto: Penhas Douradas.

Agosto

sem fotos :(


Setembro

050909

História: 5 de Setembro. Em casa. A Lilia e a Felisbela a jogar Mario Kart na Wii.

Outubro

sem fotos :(


Novembro

221109

História: 22 de Novembro. Trabalhos de Campo I. Se tivesse que escolher uma só foto para representar 2009, esta seria, provavelmente, a escolhida. Peninha.

Dezembro

201209

História: 20 de Dezembro. Tentativa de fotografar alguns organismos do intertidal. Praia do Vale Furado.


19
Dez 09

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Não me quero alongar demasiado sobre o espectáculo que é este filme. Parece que estamos, efectivamente, perante um marco na história do cinema.

Louvores (inteiramente merecidos) à parte, não posso deixar de referir um pormenor que, para mim, é demasiado evidente: a história de base deste filme, é basicamente a mesma de Dune (David Lynch, 1984).

Embora isso não lhe retire o mérito de ser um filme inovador e um espectáculo visual deslumbrante, a meu ver, ensombra um pouco o que, de outro modo, seria um sucesso irrepreensível…


6
Nov 09

As empresas e a biodiversidade

Serviços de Ecossistema – reconhecendo a realidade
Foi necessário percorrer um longo caminho, repleto de obstáculos e percalços, para que o Homem tomasse consciência do que deveria ser óbvio: como fruto da evolução e como mero membro da biodiversidade terrestre, também nós estamos inteiramente dependentes dos serviços dos ecossistemas. Durante milhares de anos, sempre tomámos como garantidos todos os bens e produtos que a Natureza nos oferece, sem questionar a sua disponibilidade ou sem considerar os seus eventuais custos. Como resultado, fomos utilizando abusivamente todos os recursos naturais quase até à sua exaustão, fomos deteriorando os ecossistemas quase até ao ponto de não ser possível a sua recuperação.

Em 1992, no âmbito da Convenção para a Diversidade Biológica, abriram-se, finalmente, as portas para uma maior compreensão da nossa dependência dos ecossistemas e dos passos necessários para a sua preservação.

Biodiversidade: transformando a crise em negócio
Após a tomada de consciência da necessidade de preservar a biodiversidade como base de sustentação dos serviços de ecossistema, dos quais depende o bem estar humano, surge uma questão incontornável: como aliciar o sector privado a participar activamente nesta preservação? À partida, parecerá algo utópico solicitar às empresas, cujo objectivo é a obtenção de lucro, que invistam capital neste campo sem com isso vislumbrarem quaisquer benefícios a curto prazo.

Se para alguns ramos de actividade, caso da agricultura, da caça ou do turismo, o valor da biodiversidade é intrínseco e inquestionável, para outros sectores, como é o caso de inúmeras industrias e serviços, não é tão fácil encontrar uma relação directa entre a biodiversidade e a actividade exercida. O elemento de ligação são, inevitavelmente, os serviços dos ecossistemas, de que todas as actividades económicas dependem, directa ou indirectamente.

A questão, porém, mantém-se: porquê pagar por um bem ou serviço que se encontra abundantemente disponível e do qual sempre todos puderam usufruir sem contrapartidas? O primeiro passo para responder a esta questão, será avaliar os riscos associados à perda de biodiversidade.

Em primeiro lugar, uma sociedade civil cada vez mais informada e exigente, tenderá a optar, preferencialmente, pelos produtos e serviços de empresas ecologicamente responsáveis. As implicações legais de uma má conduta ambiental, como é o caso da aplicação do principio do poluidor pagador, poderão ter um peso determinante na sobrevivência económica das empresas. Finalmente, o uso sustentável dos recursos biológicos é, em última análise, condição necessária para a sobrevivência de todas as empresas pois, a quebra dos serviços de ecossistema implicará a ruptura do fornecimento de bens indispensáveis.

Por uma simples análise da situação inversa, encontraremos uma oportunidade associada a cada um destes riscos: empresas socialmente responsáveis atraem investimento, os produtos e serviços ecologicamente certificados têm maior procura, uma racional utilização dos recursos traduzir-se-à numa redução de custos.

Compreendendo a necessidade imperativa de conservar a biodiversidade, coloca-se, finalmente, a questão: como o fazer? A multiplicidade de respostas possíveis, dependerá do tipo de empresa e de actividade económica em que se insere. Uma primeira análise desta questão revela duas possibilidades:

  1. O negócio tem impacto na biodiversidade: efectivamente, é virtualmente impossível consolidar uma empresa sem qualquer impacto ambiental, pelo que restará aos seus gestores implementar uma politica de controlo ambiental que reduza ao mínimo os prejuízos ambientais provocados pela sua actividade.
  2. A biodiversidade é o próprio negócio: caso de empresas que adquirem terrenos com alto valor de biodiversidade com intenção de os preservar, que controlam o acesso a espécies ou habitats mediante um pagamento, ou que fazem a gestão da biodiversidade em determinadas áreas.

E é, finalmente, na relação entre estas duas vertentes que se encerra o novo paradigma da biodiversidade como negócio. Uma vez que é praticamente impossível reduzir a zero os impactos na biodiversidade, as empresas deverão compensar a sociedade investindo em créditos ambientais, ou seja, recorrendo aos prestadores de serviços cujo negócio é a conservação (ou recuperação) da biodiversidade.

De acordo com Mendes Palma, et al., 2008, “Os mercados para os serviços dos ecossistemas, e da biodiversidade em particular, têm vindo a desenvolver-se consistentemente ao longo da última década. Existe a convicção generalizada entre os diferentes players do sector de que esta é uma área de negócio que irá experimentar um acelerado crescimento na próxima década, como alguns dos exemplos dados anteriormente deixam antever”.

Apesar de não se encontrar uma referência explicita no texto do autor, esta visão dos factos parece apontar, quase na totalidade, para o cenário de “Jardim Tecnológico”, traçado pelo Millennium Ecosystem Assessment. Efectivamente, neste cenário, é encorajada a expansão de mercados em serviços de ecossistemas o que se traduzirá numa solução para o conflito entre a economia e o ambiente. Apesar de ser este, porventura, o mais idílico dos quatro cenários descritos neste relatório das Nações Unidas, não é, porém, isento de desvantagens.

A inevitável tentação para gerir todos os ecossistemas do planeta poderá ter o efeito contrário ao desejado. A visão humana (necessariamente simplista) do mundo natural, poderá pôr em causa a sobrevivência de espécies que, possivelmente, não estariam ameaçadas caso os seus ecossistemas ou habitats se mantivessem totalmente selvagens. Por outro lado, o Jardim Tecnológico, dependerá em larga escala da engenharia ecológica e da biotecnologia, diluindo-se a fronteira entre o natural e o artificial, ou seja, haverá tendência para artificializar a Natureza.

Esta visão de futuro depende, obviamente, das acções no presente. Apesar das preocupações ambientais, entre as quais se encontra a quebra da biodiversidade, se encontrarem na ordem do dia, há inúmeros factores politico-sociais que poderão condicionar as decisões tomadas e, consequentemente, os caminhos a trilhar. É impensável, nos dias de hoje, exigir às empresas dos países em desenvolvimento, que coloquem a biodiversidade no topo das suas prioridades. Muitas vezes, porém, é nesses países que a conservação é mais urgente.

Alguns passos importantes foram dados no bom sentido. Compreendemos hoje a importância dos serviços dos ecossistemas e a sua relação com a diversidade da vida na Terra. Esta informação tem conseguido chegar à sociedade civil e aos decisores económicos. Encontrámos alguns métodos que permitirão atingir um equilíbrio entre o progresso e a conservação. Resta, finalmente, encontrar forma de agir de uma forma global, sem esquecer as especificidades regionais de cada país ou região.

As empresas, assim como os indivíduos, não terão propriamente escolha entre preservar ou não preservar a biodiversidade: a conservação é um imperativo. Falta-nos apenas encontrar o melhor método de o fazer.