Archive for 'Ambiente'

Consumo eficiente?

Passam agora dois anos sobre a nossa mudança para este apartamento. A altura ideal, portanto, para fazermos um balanço dos nossos consumos.
O nosso agregado familiar é composto por duas pessoas e o apartamento em questão é um T3. Quer por motivos ambientais quer económicos, temos tentado apostar numa utilização racional dos nossos recursos. Terá, o nosso esforço, sido suficiente?

Consumo de energia eléctrica

Indicador Unidade Resultado 2007 Resultado 2008 Valor de referência
Consumo médio mensal de energia kWh/mês 301,5 298,3 ~352,2

O cálculo do consumo médio mensal de energia foi efectuado com recurso aos valores presentes nas facturas, referentes às leituras reais do contador. Após a soma anual destes valores, o valor médio mensal foi calculado dividindo o total obtido por doze meses.
O valor obtido representa, assim, a média de energia eléctrica consumida mensalmente em cada um dos anos analisados.
Embora se refira, como valor de referência, o resultado obtido através do site da EDP, julgo não se dever, porém, encará-lo como meta a atingir, uma vez que faltam a este simulador algumas características que o tornem minimamente fiável (como seja, por exemplo, a composição do agregado familiar que, naturalmente, se deveria reflectir no resultado obtido).

A diferença de resultados entre os dois anos em análise, embora não tão significativa como gostaríamos, vem de encontro ao esforço que temos vindo a efectuar no sentido de reduzir o nosso consumo energético.
Nesse sentido, optámos, desde logo, pela aquisição de electrodomésticos cuja classe energética fosse de categoria A.
Infelizmente, por desconhecimento da nossa parte, a generalidade dos nossos candeeiros utilizam lâmpadas de halogéneo, cuja substituição por lâmpadas economizadoras se tem vido a revelar difícil, quer por não estarem disponíveis no mercado em todos os formatos que necessitamos, quer por não ser fácil encontrar as poucas que existem.
Apesar de procurarmos evitar deixar qualquer equipamento em stand by, este será, certamente, um ponto em que ainda podemos melhorar. Temos procurado não deixar os carregadores ligados à corrente após carregar os telemóveis e sempre que possível fazemos o mesmo para qualquer equipamento que não precise manter-se ligado. O equipamento informático, no entanto, fica habitualmente ligado sem necessidade e será um ponto a corrigir se queremos atingir um valor de consumo ideal.

Um indicador aqui não analisado, o valor médio mensal da factura de energia, sofreu uma forte diminuição com a adopção da tarifa bi-horária da EDP e a adopção das horas de vazio para utilização de equipamento eléctrico mais exigente do ponto de vista do consumo.

Consumo de água

Indicador Unidade Resultado 2007 Resultado 2008 Valor de referência
Consumo médio mensal de água m3/mês 9,1 9,8 ~9,0

Recorrendo à análise das facturas do consumo de água, obteve-se o consumo médio mensal de água. Através da soma das leituras reais dos vários meses e da sequente divisão por doze meses, obtemos este valor para cada um dos anos analisados.
O valor utilizado como referência, é apresentado no site da EPAL apenas em formato gráfico, daí tratar-se de uma aproximação, embora possa ser encarado como uma meta a atingir.

Tanto o aumento que se verificou de 2007 para 2008 como a meta que deveríamos procurar atingir, constituem uma surpresa, pois julgávamos ter vindo a reduzir o nosso consumo para valores ideais, o que não se verifica.
Uma vez que reduzimos a um a número desprezável os banhos de imersão e temos tentado, sempre que possível, evitar lavar a louça na máquina, optando pela lavagem à mão, a subida do consumo, constitui, em certa medida, um factor de frustração.
Haverá, obviamente, espaço para melhorar, seja por redução do fluxo das torneiras e chuveiros quer pela redução de volume das descargas do autoclismo, mas é-nos difícil compreender o acréscimo neste último ano, pois não sabemos onde teremos consumido mais água.

Apesar da nossa preocupação em manter um nível de consumo reduzido, constatamos, através deste exercício, que os nossos esforços não se têm traduzido numa diminuição tão drástica como pretendíamos.
Gostaríamos de encontrar, a nível das instituições, a divulgação de valores de referência que pudessem ser encarados como metas a atingir pois é a única forma de sabermos se o estilo de vida que levamos é, efectivamente, eficiente.
Tentaremos, ainda, olhar para os nossos consumos de uma forma mais racional, analisando o consumo efectuado e não apenas o valor a pagar que, nem sempre parece traduzir a realidade.
Este exercício revela a necessidade de um acompanhamento constante dos valores mensais. Não basta encarar estes indicadores de forma meramente teórica: é necessário definir metas e procurar, mês após mês, chegar cada vez mais perto dos nossos objectivos.

Qualidade do ar: uma utopia ou talvez não

A atmosfera que actualmente envolve o nosso planeta é, simultaneamente, um produto da actividade biológica, e um elemento indispensável para a sobrevivência da vida na Terra tal como a conhecemos. Deste modo, talvez seja algo redutor encará-la como a mera soma dos diversos gases que a constituem. Trata-se de um sistema complexo, cujas características físicas e constantes interacções com as restantes esferas planetárias, resultam numa entidade em mutação e auto-regulação permanente.

Apesar de não conhecermos, em detalhe, a composição da atmosfera primordial do nosso planeta, sabemos um pormenor essencial: o ar que hoje respiramos, nem sempre existiu – é, antes, o resultado de uma evolução para a qual contribuiram diversos factores que, pelo que observámos até à data, não se repetiram em qualquer outro ponto do Universo.

A primeira atmosfera, provavelmente constituída por gases demasiado leves (hidrogénio e hélio), não terá resistido muito tempo, dispersando-se para o espaço exterior. A intensa actividade vulcânica no planeta ainda em consolidação, terá libertado novos gases que deram origem a uma nova atmosfera, ainda muito diferente da que conhecemos hoje.

Com uma elevada concentração de vapor de água e de dióxido de carbono, esta atmosfera de segunda geração tinha o potencial necessário para transformar o planeta. Finalmente, quando esta imensa quantidade de vapor de água se condensou dando origem aos oceanos, faltava apenas um pequeno pormenor para que a atmosfera voltasse a sofrer uma transformação radical: o aparecimento da vida.

Algumas das primeiras bactérias terão tido um papel fundamental neste processo de transformação, realizando a fotossíntese e, consequentemente, iniciando a oxigenação da atmosfera. A evolução das primitivas formas de vida e o aparecimento de organismos mais eficientes foi, gradualmente, acelerando o processo, reduzindo progressivamente a quantidade de dióxido de carbono e aumentando a percentagem de oxigénio no ar.

Assim surgiu a nossa atmosfera, uma mistura de gases que, por não ter existido sempre, não devemos tomar como garantida. É esta atmosfera que nos permite sobreviver e dá ao nosso planeta o tom de azul pelo qual o reconhecemos. Cabe-nos estimá-la.

Naturalmente, este processo de mudança não estará terminado: os vulcões continuam a expelir gases e a biosfera constantemente consome e liberta outros gases. Parece, no entanto, ter-se atingido um certo equilíbrio na composição atmosférica, que se mantem praticamente inalterada desde há centenas de milhões de anos. A actividade vulcânica actual é bastante reduzida quando comparada com a do jovem planeta Terra. Por outro lado, nenhum organismo vivo teria a capacidade de introduzir alterações profundas na atmosfera. Excepto o Homo sapiens.

Desde cedo, especialmente após o controlo do fogo, a nossa espécie iniciou um percurso de contaminação do ar que passou, gradualmente, de um problema local (prontamente resolvido com uma mudança de acampamento), para um problema à escala continental (chuvas ácidas e radioactividade – a que é impossível virar as costas).

Foi um caminho longo, repleto de erros, que percorremos com alguma inconsciência, desde os tempos mais remotos até aos nossos dias quando, finalmente, começamos a tomar consciência das consequências dos nossos actos. É fácil cair na tentação de criticar a demora em tomar medidas, mas esta tomada de consciência e a plena compreensão dos erros cometidos é um primeiro passo necessário para uma mudança de mentalidades e de atitudes.

No fundo, não parecemos ser muito diferentes dos nossos antepassados. Procuramos constantemente o caminho mais fácil. Fosse-nos possível, simplesmente, mudar de planeta quando o ar da Terra se tornasse irrespirável, e julgo que o faríamos. Na impossibilidade de o fazer, procuramos remediar os nossos erros e não, prontamente, evitá-los.

Temos, agora, plena consciência de que as nossas indústrias, os nossos automóveis e muitos dos produtos que utilizamos diariamente sem pensar duas vezes, afectam, de algum modo, o ar que respiramos.

Os compostos de enxofre, principalmente o dióxido de enxofre (SO2), são emitidos em qualquer actividade que implemente a combustão de produtos contendo enxofre, como sejam o petróleo e o carvão. Uma vez que o dióxido de enxofre se converte facilmente em ácido sulfuroso (H2SO3) ou em ácido sulfúrico (H2SO4), é o principal responsável pelas chuvas ácidas.

Os diversos compostos de azoto (NOx) têm origem em combustões a altas temperaturas, como as frequentemente utilizadas industrialmente, ou nos motores de combustão interna dos veículos automóveis.

Os compostos de carbono lançados para a atmosfera, são gases com um importante efeito de estufa, contribuindo para o aquecimento do planeta.
As concentrações de dióxido de carbono (CO2), composto naturalmente presente na composição atmosférica, têm vindo a crescer continuamente ao longo do último século devido à nossa incessante dependência de combustíveis fósseis.
O monóxido de carbono (CO), produto da combustão incompleta de compostos orgânicos é um poluente de elevada toxicidade para os animais que utilizam a hemoglobina para transporte do oxigénio.
Outros compostos orgânicos voláteis são também responsáveis pelo efeito de estufa. O metano (CH4) será, provavelmente, o mais preocupante pois o seu efeito de estufa é bastante superior ao do dióxido de carbono.

Outras partículas, de diversas composições e dimensões, são lançadas para a atmosfera, ali se mantendo em suspensão. Com origem em fumos e poeiras emitidos pelo tráfego, pelo sector industrial, pela construção civil ou pela agricultura, muitas destas partículas podem ser inaladas, dando origem a problemas de saúde cuja gravidade dependerá da sua composição.

Os compostos halogenados, de que os CFCs são um exemplo clássico, são industrialmente utilizados como refrigerantes, gases propulsores ou solventes. Após a tomada de consciência da responsabilidade dos clorofluorcarbonetos na redução da camada de ozono, os governos legislaram no sentido de reduzir progressivamente estas emissões. O longo tempo de vida destes produtos, no entanto, resulta num efeito prolongado no tempo, muito para além da data da sua emissão para a atmosfera.

Obviamente, o conhecimento dos efeitos nocivos que estes produtos exercem sobre o ambiente que nos rodeia, afectando tanto o Homem como os restantes seres vivos com quem compartilhamos o planeta, tem levado os diversos governos mundiais a tomar medidas no sentido de reduzir este tipo de emissões. O estabelecimento de valores limite para os diversos tipos de poluentes, a obrigatoriedade de monitorização da qualidade do ar e a disponibilização destes valores ao público foi um importante passo no sentido de nos garantir um ar saudável. Será suficiente?

Os graves efeitos e o longo tempo de vida de muitos destes poluentes fazem-me crer que a legislação ainda é insuficiente. Caso o rumo se mantenha, a redução das emissões apenas adiará o inevitável: a transformação gradual da composição atmosférica e a consequente destabilização bio-físico-climática que isso acarreta.

As alterações à composição atmosférica, por insignificantes que nos pareçam, possivelmente, provocarão sempre resultados inesperados. Sabemos, por exemplo, que em altitudes elevadas, onde a menor pressão atmosférica reduz a concentração de oxigénio disponível, se traduz na ocorrência de diversos sintomas cuja única cura eficaz se resume ao regresso a uma atmosfera saudável. Documentos espanhóis do século XVI, relatam a incapacidade reprodutiva dos colonos europeus nas aldeias dos Andes.

Se enquanto organismos, a poluição atmosférica nos pode provocar diversos tipos de doenças mais ou menos graves, enquanto espécie, o Homo sapiens evoluiu e adaptou-se a esta atmosfera e provavelmente não conseguirá sobreviver noutra. O mesmo acontece com inúmeras outras espécies, cuja sensibilidade a alterações ambientais poderá ser ainda mais drástica que a nossa.

Esgotando todas as possibilidades de mudar de acampamento, fechar os olhos e negar as consequências dos nossos actos, acredito que iremos, finalmente, agir! A procura de energias alternativas, não poluentes é uma realidade que começa a dar os primeiros passos, ainda hesitantes, pois parecemos encará-las ainda como curiosidades e não como necessidades. Dia a dia, porém, confrontados com a gravidade das nossas acções, iremos repensar o nosso modo de vida.

A poluição atmosférica causa a morte de pelo 10 mil pessoas, todos os anos, na região de Hong Kong, Macau e sul do continente chinês. São estes os resultados de um estudo divulgado recentemente em Hong Kong e que aponta como principal culpado o agravamento regional da poluição atmosférica. Cerca de 440 mil camas de hospital e 11 milhões de consultas médicas é o balanço do estudo da consultora Civic Exchange. (in Associação Portuguesa de Engenharia do Ambiente)

As características únicas da atmosfera fazem-nos compreender que nenhum problema ambiental é verdadeiramente local. Temos apenas este planeta e o ar que respiramos é partilhado com todos os seres vivos. Não há fronteiras na atmosfera pelo que é urgente exigir de todos e de cada um de nós, o respeito pelo nosso ar como um bem comum. Como meros inquilinos, chegou a hora de nos comportarmos civilizadamente.

Os fogos naturais, as tempestades e os vulcões continuarão a estar fora do nosso controlo e contribuirão, ocasionalmente, para a degradação da qualidade do ar, mas seria óptimo podermos dizer aos próximos inquilinos que lhes estamos a entregar a atmosfera, tal como a encontrámos quando aqui chegámos. Se possível, ainda em melhor estado. Sairíamos de cena com a consciência bem mais leve e um ar bem mais puro.

Aerogeradores. São assim tão bonitos?

Felizmente, nos dias que correm, as energias renováveis são bem recebidas pela população e pelos governos pelo que é natural que se encontrem em franco crescimento. A questão que coloco é: a que custo?

Um dos meus destinos de férias preferido é o Parque Natural de Montesinho ao qual tenho regressado quase anualmente, ao longo dos últimos 5 ou 6 anos. De ano para ano, uma paisagem que possuía, quando a descobri pela primeira vez, uma indescritível beleza agreste, praticamente intocada por mãos humanas, vem-se transformando num imenso campo de geradores eólicos.

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Acredito que o impacto nos ecossistemas seja muito reduzido pois, felizmente, as ventoinhas não poluem. Mas… E o impacto visual? Até agora, os cumes das montanhas distantes eram os únicos locais a que não chegava a mão do Homem e onde podíamos, mesmo em plena Europa, encontrar a Natureza num estado selvagem. Agora, parece não haver pico que não tenha um aerogerador. Teremos o direito de roubar estas paisagens às gerações futuras?

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É difícil, com belos spots publicitários, como este da EDP, ver algum mal nesta energia! Os últimos segundos do anúncio, no entanto, demonstram bem aquilo de que falo.

Há uma linha ténue a separar as vantagens e as desvantagens de cada decisão que se toma e é preciso ponderar bem se os ganhos justificam os custos…

Breve estudo sobre o lepidóptero Maculinea alcon (Denis & Schiffermüller, 1775)

A borboleta Maculinea alcon (Denis & Schiffermüller, 1775), é um dos 30 lepidópteros da família Lycaenidae que ocorrem em Portugal. Apesar de uma vasta distribuição, desde a Europa Central e Meridional até à Ásia Central, as suas populações, dispersas, encontram-se em declínio muito acentuado em determinadas áreas.

Tal como acontece com outras espécies do género Maculinea, esta borboleta tem um ciclo de vida tão complexo como curioso. Depois da eclosão dos ovos, a lagarta alimenta-se durante algum tempo da sua planta hospedeira, a Gentiana pneumonanthe. Após esta fase, no entanto, a larva abandona a planta e é “adoptada” por formigas do género Myrmica, residindo os nove a dez meses seguintes dentro do seu ninho, como parasita.

Embora as larvas de outros licaenídeos consigam protecção dos predadores estabelecendo uma relação de mutualismo com algumas formigas, esta espécie vai mais longe. Através de um engenhoso processo de sedução química, consegue levar as formigas que eventualmente a encontrem, a transportá-la para o seu formigueiro. Uma vez aí, este mimetismo químico leva as formigas a alimentá-las até à fase de crisálida, durante a qual continuarão a ter a protecção da sua “família adoptiva”.

A borboleta adulta emerge do seu casulo, ainda dentro do formigueiro, três a quatro semanas depois de iniciada a fase de pupa. Finalmente desprovido da sua protecção química, o lepidóptero precisa abandonar o formigueiro ou corre o risco de ser atacado pelas formigas. Uma vez ao ar livre, poderá, finalmente, expandir as asas e voar.

M. alcon


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Homo sapiens: o sucesso da espécie

Os seres humanos apresentam uma reprodução sexuada, que se traduz na ocorrência da meiose – divisão celular que reduz a metade o número de cromossomas típico da espécie, e da fecundação – fusão das células haplóides de dois indivíduos distintos que resulta em descendentes geneticamente diferentes dos seus progenitores e diferentes entre si.
Entre as várias teorias que pretendem explicar o processo que levou a espécie humana à conquista da Terra, destacam-se a hipótese multirregional e a hipótese da origem única. A primeira teoria defende a evolução paralela da espécie, em vários locais em simultâneo, a partir de um antepassado remoto que teria deixado África há 2 milhões de anos. A teoria da origem única, por outro lado, defende que a Humanidade descende de um único e pequeno grupo de Homo sapiens que teria deixado África há apenas 50.000 anos.
Os mais recentes estudos da genética humana parecem confirmar a teoria da origem única. A análise do ADN mitocondrial em particular, veio demonstrar que todos os seres humanos hoje vivos, descendem de uma mulher que viveu em África há 150.000 anos – a Eva Mitocondrial.


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