Não posso afirmar que o meu interesse pelas questões meteorológicas seja antigo. Há cerca de três anos, no entanto, porventura à custa de umas valentes molhas e, eventualmente, curioso com as transformações climatéricas a que o nosso planeta está sujeito, comecei a dar atenção a esta temática.
Na altura, tempo ainda de vacas gordas, adquiri uma pequena estação meteorológica caseira, com a qual registei, durante alguns meses, as condições do estado do tempo. Infelizmente, alguns desses dados já se perderam, embora outros que fui enviando para o wunderground, ainda perdurem. Com o passar do tempo, o interesse foi esmorecendo até que, com a saída de casa dos meus pais, a estação meteorológica foi totalmente abandonada. O anemómetro e o pluviómetro, lá ficaram, sujeitos à intempérie, sem terem, no entanto, quem lhes recebesse os dados adquiridos com tanto esforço!
Na última semana, rica em instabilidade climática, decidi ir buscar aqueles desgraçados instrumentos, sacudir-lhes o pó de dois anos de esquecimento, e ligá-los aqui em casa.
Após alguma hesitação face à impossibilidade de colocar o anemómetro num local totalmente desimpedido, decidi-me a colocá-lo na varanda, mesmo sabendo que não vou receber leituras correctas em relação aos ventos de Oeste. Assim, com um pouco de bricolage, lá consegui pôr de pé este velho hobbie!
O primeiro contratempo não tardou em chegar. Os anos de esquecimento pareciam ter deixado o pluviómetro intacto, mas o mesmo não poderia dizer do anemómetro, cujos valores não estavam a chegar à estação base. Damn!
Há na net, algumas histórias relativas à transmissão de valores errados pelo anemómetro desta estação (é uma LaCrosse WS-2305), mas isso era algo que já me tinha acontecido aquando da primeira instalação. Desta vez o caso era diferente. Nada de valores. Nill. O tempo (quer o horário quer o meteorológico), tinha feito das suas. Sem desanimar, porém, decidi abrir o anemómetro para ver se estava tudo bem no interior. Estaria algum cabo solto? Não – estava tudo no sítio. Havia no entanto alguma humidade. Agarrei então num secador de cabelo e tentei secar tudo, voltei a fechar e… Temos um valor! Foi meia vitória, pois é suposto ter dois: a direcção e a intensidade do vento. Só tenho a direcção…
Dando-me, para já, por contente, passei à fase seguinte – transmitir os dados da estação para o PC e daí para a net.
Agora vem uma parte (mais) geek, pelo que os não interessados, podem saltar estes parágrafos.
Ora, a estação trazia um software manhoso para windows, que nem me preocupei em procurar. Aqui só corre Linux. Alguma solução teria que haver. Haver, havia… O problema era a escolha. Sem surpresas, no entanto, a maioria dos programas que experimentei, eram logo abandonados à partida. Alguns, todos bonitinhos, funcionavam logo à primeira, com janelinhas bonitas e tudo, mas que raios, ocupavam demasiado o meu processador e eu não fazia tenções de ter um servidor dedicado a esta coisa! Os outros, poupavam tanto em recursos do sistema como em user friendliness.
Estava quase, quase a desistir, quando encontrei o wview. Funcionou à primeira e é poupadinho!
Segui, com um mínimo de alterações, as dicas do David Kabal. Só deixei o MySQL de lado pois, para já, não estou interessado e, obviamente, instalei versões mais recentes que as que ele refere no artigo.
Infelizmente, surgiu mais um contratempo. Era suposto o wview fazer automaticamente a transferência dos ficheiros criados (essencialmente html e png) para um servidor ftp, mas por mais voltas que dê, népias, não transfere nada e para dificultar um pouco as coisas, também não apresenta erro nenhum, pelo que se torna complicado descobrir os motivos. Uma pesquisa nos fórums, revela que há mais utilizadores com o mesmo problema mas sem soluções. Alguns resolveram o problema com uma re-instalaçao – comigo não resultou. Como há várias maneiras de esfolar um gato (é o que dizem!), resolvi o problema com relativa facilidade: limitei-me a criar um cronjob que faz o trabalho. Limpinho.
Depois de algumas marteladas no html – o aspecto default, deixa muito a desejar -, lá consegui publicar o MGMeteo (e, também, transmitir os dados para aqui). É certo que não haverá muitos interessados no tempo que faz na Marinha Grande, mas a verdade é que descobri nos últimos dias que há muito mais apanhados do clima do que eu supunha!
Dividi os dados da forma que me pareceu fazer mais sentido – actual, diário, semanal, mensal e anual. Inicialmente, surgiram bastantes falhas. De um momento para o outro, a estação perdia contacto com os sensores exteriores e o wview, não recebendo dados, utilizava os valores default, pelo que me surgiam temperaturas na ordem dos 80°C… O problema parece ter sido resolvido com uma pequena aproximação da base da estação aos sensores – limitei-me a afastá-la o mais que consegui do PC, ganhando pouco mais que um metro…
Ainda não é um trabalho concluido. Por um lado, o sensor de velocidade do vento poderia dar valores muito interessantes (curiosamente, parece ter despertado algum tempo durante o vendaval de dia 31 de Janeiro!), pelo que preciso tentar descobrir o que se passa. Por outro lado, o termómetro parece apanhar algum sol durante o período das 10h00, o que se traduz numa subida repentina e vertiginosa de temperatura por volta dessa hora, falseando os resultados.
O mais certo, no entanto, é que após a publicação deste post, me esqueça que isto existe durante o próximo par de anos!